Casa Aberta
A Casa Aberta é o evento anual do Condô Cultural, um momento de partilha, convivência e celebração coletiva. Nesse período, as portas da casa e de cada ateliê se abrem para receber o público e compartilhar um pouco das pesquisas, trabalhos e processos que atravessam o cotidiano do Condô ao longo do ano.
Ao abrir suas portas, a Casa Aberta cria um espaço de encontro entre artistas, educadores e comunidade. É uma celebração da vida e da coletividade, com uma programação intensa e gratuita para todas as idades.
A cada edição, decidimos coletivamente o tema que irá orientar as ações e reflexões em torno da Casa Aberta, esse tema traça um perfil do que construímos criativamente durante o ano.
A programação inclui exposições, visitas aos ateliês, apresentações de teatro, música e performance, exibição de filmes, atividades pedagógicas, experiências gastronômicas e a venda de produtos dos artistas na lojinha do Condô. Integra também a programação o Ponto de Arte Indígena, iniciativa que apoia a luta dos povos originários por meio de um ponto fixo de comercialização de criações de artistas, artesãs e artesãos indígenas de diferentes etnias do Brasil.
Em cada edição, aproximadamente 60 artistas, criadores, produtores e técnicos participam diretamente da realização do evento, que recebe, em média, 300 pessoas.
A história da Casa Aberta acompanha a própria trajetória do Condô Cultural. Desde os primeiros anos de ocupação do espaço, o desejo de abrir as portas e compartilhar processos já estava presente em ações como o Picnic Cultural, realizado em 2010, e as Mostras de Artes do Condô, iniciadas em 2014. Em 2019, o evento passa a se chamar oficialmente Casa Aberta, consolidando-se como parte fundamental da programação anual do Condô Cultural.
Convidamos você a percorrer os registros das últimas edições e sentir um pouco da energia bonita que atravessa a Casa Aberta.
CASA ABERTA 2025 – Tempo comum
Cá nós de novo, abrindo a casa pra partilhar nosso espaço-tempo calcado nas paredes, na pulsação da nossa presença, na inconstância de cada tijolinho, nos calos das mãos, na mistura dos corpos que contam e escrevem as histórias desta casa comum.
Debutamos! Em estreia no corpo xóvem encarnado, trazendo a memória dos nossos ancestrais de concreto — do hospital à maternidade ao espaço abandonado — refeita em ponto ecocultural, lugar de acolhida e convivência. Quinze anos de C O N D Ô, de gentes instilando arte neste espaço parido na Vila Anglo. Com suas zonas de contaminação, cicatrizes pandêmicas, ondas de rádio, modos de passar passarinho, e sonhar junto, e fazer toró.
Um gesto comum, desde a gestação: d i l a t a r .
Abrir fendas na contramão do tempo sem grelha, comedor de gentes. Despedir-se do homem-relógio e avir-se com os grãos de areia de uma ampulheta, que escorrem e cedem lugar ao vazio. Silêncios esticados, tempos elásticos, panelas sem tampa, fermentação natural. Entre esbarros, as horinhas de descuido, abraços, banho de mangueira, fogueira do Ademir, chuva no quintal.
Aqui o tempo traz sua grelha e tem vocação de mulher. É mulher-vinil, o colo dilatado, rodando, rodando na vitrolinha. Redesenhando as linhas dum disco irrepetível, instaurando ritmos, cadência, afetações. Apurando o sabor desse caldo de convivência que, com seus modos de cuidar, se espalha por cada fresta e trinca e fissura, cada sulco — marca d’água —, que escorre perfazendo o traçado de um disco ou rio geográfico, mapeando as memórias dos nossos corpos plurais que convergem para este espaço urdido na convivência com as linhas do nosso t e m p o c o m u m.
CASA ABERTA 2024 – Onironautas
Tudo começou com um sonho lúcido,
um corpo de mulher que voa baixo pelo campo, mas voa perto,
porque tem medo de não voltar para seu corpo físico deitado na cama.
Um sonho que surgiu no Condô e foi contado para todos ao redor da mesa do almoço.
Na simplicidade cotidiana da casa,
cultivamos momentos de encontro e partilha,
onde o mundo onírico e o universo concreto se tocam, se entrelaçam.
Sonhar, estarmos lúcidos, conscientes do que se sonha, experimentar os sonhos, navegá-los
como os argonautas nas águas desconhecidas.
Somos Onironautas, perigosos sonhadores,
embarcados juntos numa nau,
explorando a beleza do sonho compartilhado.
Um sonho que concretiza novas realidades, e que,
assim como a semente-nave-espacial, só espera o momento certo para brotar.
Abrimos as portas para celebrar e dançar na chuva! Uma mistura de esculturas, gravuras, pinturas, teatro, música, dança, cartazes, plantas, comidas, memórias e um pouquinho mais… assim é o Condô Cultural e as pessoas que dão vida a existência da Casa Aberta.
Em tempos de mudanças climáticas intensas, queremos compartilhar com o público um pouquinho das nossas obras que molham a terra sedenta.
Durante esse Toró, nove dos quinze ateliês do Condô estarão abertos para visitação, além dos espaços comuns e do vasto quintal. A programação contará com Mostra de Artes Visuais, Oficinas, Atividades para Crianças, Teatro, Música, Exibição de Filme, além da Lojinha Condô, Ponto de Arte Indígena, Compostagem, Café Caipira e outras atividades.
CASA ABERTA 2022 – Nós, passarinho
No dia 11 de dezembro de 2022 (domingo), abrimos nossas portas ao público com uma intensa programação de atividades artísticas, sociais e ambientais para todas as idades. O evento acontecerá das 9h às 21h e é totalmente gratuito, com sugestões de contribuição.
O espaço sede da Associação Cultural, que funciona como um centro de convivência e diálogo, com ateliês de artistas e vivências de cunho cultural, ficou de portas fechadas para grandes ações criativas durante três anos em função da pandemia. Após este período de profundo luto e lutas políticas em prol da cultura, educação e meio ambiente, a casa reabre com clima de celebração e esperança com o tema “Nós, passarinho”. Ao pensar sobre o que a Casa Aberta deste ano deveria expressar, o sentimento em comum foi rapidamente mapeado entre as pessoas associadas ao Condô. “Queríamos algo que representasse a força da esperança, da gentileza, do coletivo, a força da luta que travamos nesses últimos anos no Brasil”, diz Géssica Arjona, diretora do Condô Cultural. Desta conversa, veio o “Nós, passarinho”, simbolizando a força brincalhona da vida e da natureza diante das regras duras ditadas por uma sociedade adoecida pelo sistema econômico.
Durante o evento, nove dos quinze ateliês do Condô estarão abertos para visitação, além dos espaços comuns e do vasto quintal. A programação contará com exposição, sessões de Eutonia, Café Caipira, atividades ambientais para crianças, espetáculo de palhaçaria, show ao vivo, projeção de filmes, dentre outras atividades.

















