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estudiero de Matha: um laboratório imersivo, modular, descontínuo

25.04

à 27.04

Sexta, 09:00 às 18:00
Sábado, 09:00 às 18:00
Domingo, 09:00 às 18:00

Formato

Presencial

foto: Leopoldo Pacheco

O estudiero é um estúdio fechado para investigar e um terreiro aberto ao trânsito entre mundos. Urdido e conduzido por Maria Thaís (ou Matha ou Tatha), assenta um tempo-lugar de criação no Condô Cultural, –  espaço de práticas artísticas, convívio e resistência – para prospectar com os pés, confrontar e diferenciar perspectivas éticas-poéticas e pedagógicas para a linguagem cênica.

 

 

O programa do estudiero se organiza em 08 (oito) módulos – de abril a novembro de 2025 -, independentes, mas entrelaçados por uma percepção que toma a arte do ator como fundamento na criação, análise e composição de um território comum, que é a cena.

Os módulos acontecem em um fim de semana (sexta, sábado e domingo) a cada mês, tendo como eixo uma matéria/material –  a máscara neutra, uma narrativa oral ou literária, um canto, poemas, dramaturgias, etc. -. Os pés se embrenham, em ação, para distinguir as formas de serem expressas em cada matéria/material, e analisar as relações propostas – entre entes, seres, pessoas, natureza, mundo, etc. -, prospectando os modos de operar, os princípios éticos- poéticos e as tecnologias singulares que podem orientar o talhar da linguagem cênica (a cantoria) e, intuir suas dimensões encantatórias (o efeito que elas produzem).

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A quem se destina:

Aos que se ocupam da criação da cena – em diferentes linguagens -,  não importa a função ou especialidade, e que dedicam tempo aos processos.

 Observações importantes:

  • Em contexto laboratorial e processual todes atuam. 

  • Não há a posição de observador

  • Cada módulo demanda tempo de preparação, leitura – individual e/ou coletivo-

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São 08 módulos – 01 módulo intensivo por mês

Período: de abril a novembro de 2025

Dias: sexta, sábado e domingo

Horário: das 9 as 18 hs

Local: Condô Cultural

   Rua Mundo Novo, 342

   Vila Anglo Brasileira (Perdizes)

   São Paulo – SP

   05028-030

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Cronograma de Módulos 

A cada módulo propomos um jogo pronominal, tomado como indício de regimes de relações, dessemelhantes entre si, e que reclamam possibilidades expressivas singulares.  O percurso sugere um caminho de prospecção para uma cena “que não quer representar”.

 

25, 26 e 27 de abril        Módulo I  Eu – sem Eu

Material:  Máscara Neutra

O Módulo investiga a percepção dos corpos, os meios para invultar-se (transmutar-se, assumir a natureza de outros seres, mesmo de espécies diferentes, e as diversas formas das matérias), experimentando as relações temporais e espaciais da Máscara, seus princípios poéticos e a dimensão expressiva do silêncio.

 

23, 24 e 25 de Maio    Módulo II  Eu, Tu, Elu – Nós, Vós, Elus 

Material: flechas, cantos e narrativas de Cabocos, mestres e encantados

Cantos de caboclos, mestres e encantados são um repositório de narrativas e feitos dos entes que habitam aqui e outros mundos, sem fronteiras temporais-espaciais para transitarem. Serão tomados como palavras-flechas, pois se movem entre o canto-palavra e a palavra-canto e se sustentam no corpo-coletivo e na condição transitória de suas  identidades.

 

20, 21 e 22 de Junho    Módulo III  Nós – Elus

Material:  narrativa literária – Japão

O módulo se debruça sobre matéria literária, narrativa, oriunda de tradição japonesa, observando as relações entre o mundo dos vivos e mundo dos mortos. A rica variedade de fantasmas do imaginário folclórico e religioso do Japão, são parte de inúmeras narrativas literárias e refletem as dimensões da vida e os agonias sociais.

 

18, 19 e 20 de Julho    Módulo IV   Nós – Minha-Nós

Material: narrativa oral/literária de origem ameríndia – Brasil

A tradição ameríndia nos sugere um campo relacional entre outros sujeitos – animais, árvores, funções sociais, acidentes geográficos, corpos celestiais, espíritos, etc. –  que se vêem como gente. São, como nomeiam os Yanomamis “minha nós”, multiplicando perspectivas de mundo e graus  de parentescos. Podemos encontrá-las nas diversas narrativas verdadeiras, oriundas de diferentes etnias, que habitam este território, mas também em obras literárias , como a  de Vicente Cecim (Viagem a Andara) e, contemporaneamente, na dramaturgia de Francisco Carlos (Banquete Tupinambá (primeira peça da trilogia  Jaquar Cibernético).

 

20, 23 e 24 de Agosto    Módulo V  Eu-nós – Nós-Eu

Material: Itans e narrativas orais afro-diaspóricas

Prospectar as tecnologias orais, suas sentenças ambíguas, seus ideogramas, sua estrutura incompleta e imagens que chegam à galope, os paralelismos, metros e ritmos presentes da  palavra-poética,  que irrompe como palavra-ato,  e que se alastra por todas as camadas do corpo-social, exigindo de quem o porta,  a cada emissão, responsabilidade com a palavra.

 

26, 27 e 28 de Setembro    Módulo VI  Nós – Nós-Eles

Material: narrativa literária africana

Transitar por narrativas em que na dimensão cósmica tudo é solidário e que o equilíbrio instável dos atos humanos exigem uma mediação contínua, para afinar tudo que é vivo, os valores que regulam os atos e suas forças intangíveis.

 

24, 25 e 26 de Outubro    Módulo VII  Elus – Eu-Nós

Material: dramaturgia grega

Deslocar a tragédia para o seu próprio tempo, retirando-a da noção universalista e etnocêntrica, e, quem sabe,  pisar a cena com os seus “pés de verso”  – ritmos formados pela combinação de breves e longas -, seus atos de fala, seus efeitos e sua estrutura de composição.

 

21, 22 e 23 de Novembro    Módulo VIII  Eu – Elu (Outro) 

Material: dramaturgia russa

A aproximação entre o Eu (ator) e Elu – outro (personagem) construída com os pés, em ação, através do qual o ator “ensina” a personagem como agir e, ao mesmo tempo, “aprende” com ela as circunstâncias e acontecimentos da obra. Sem sobreposição, o monólogo é uma práxis criativa, de trânsito, entre duas existências.

 

Após a confirmação da inscrição, será enviado a cada mês, aos participantes a matéria/ material  a ser utilizado no Módulo seguinte.

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Inscreva-se aqui

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Das vagas e seleção:

O preenchimento do formulário não garante a participação no estudiero.

Terão precedência os participantes inscritos nos oito módulos.

O processo seletivo priorizará a formação de um coletivo diverso – em termos de idade, formação, experiência, etnia, gênero, raça, origem e vivência.

Data de confirmação de participação: 10.04.2025

No ato de confirmação da inscrição, será enviado aos participantes o material bibliográfico e dramatúrgico a ser utilizado no laboratório.

 

Vagas afirmativas 

02 bolsas 100% integrais

02 bolsas 50%

Para pleitear, selecione a opção no formulário

  • 10 (dez) vagas, para quem participa dos 08 (oito) Módulos;

  • 04 (quatro) vagas, para quem participa de 04 (quatro) Módulos, sequenciais ou intercalados (a depender da disponibilidade de vagas);

  • 04 (quatro) vagas, para quem participa de 02 (dois) Módulos, sequenciais ou intercalados (a depender da disponibilidade de vagas);

  • 02 (duas) vagas, para quem participa de 01 (um) Módulo.

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Dos valores e pagamentos  

Indicar no formulário para quantos e quais módulos você está se inscrevendo.

  • Para quem participa dos 08 (oito) Módulos – Valor: R$ 750,00 por módulo

  • Para quem participa de 04 (quatro) Módulos, sequenciais ou intercalados (a depender da disponibilidade de vagas) – Valor: R$ 850,00 por módulo 

  • 04 (quatro) vagas, para quem participa de 02 (dois) Módulos, sequenciais ou intercalados (a depender da disponibilidade de vagas) – Valor: R$ 950,00 por módulo 

  • 02 (duas) vagas, para quem participa de 01 (um) Módulo – Valor: R$ 1.100,00 por módulo 

Formas de pagamento:

Pagamento mensal até o dia 10 de cada mês via pix.

À vista: para quem se inscreve em quatro ou oito módulos haverá desconto de 5% no caso de pagamento a vista de todos os módulos inscritos.

Política de desistência após o pagamento:

A partir do Primeiro módulo devolução de 100% do valor com aviso antecipado de até 30 dias antes do início do módulo;

Devolução de 50% do valor com aviso antecipado de até 15 dias antes do início do módulo;

Devolução de 30% do valor com aviso antecipado de até 08 dias antes do início do módulo;

Não haverá devolução do valor caso a desistência aconteça no período de até 07 dias antes do início do módulo.

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Contato

[email protected] 

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Sobre maria thaís (matha, tháta, maria e tantos outros codinomes que a batizaram ao longo do tempo) é uma artista da cena e pedagoga teatral.

Nesta  trajetória – que em 2025 completa cinquenta anos – , os processos de transmissão e artísticos sempre estiveram entrelaçados,  transitando desde a sua formação,  entre as formas tradicionais, o fazer profissional e a pesquisa acadêmica.

equipe

maria thaís

Atua no campo das artes da cena, como pedagoga teatral, diretora e pesquisadora. Professora Senior da Universidade de São Paulo - USP.
No Museu Paulista - USP desenvolveu de 2020 a 2023 o projeto A Cena como quimera. Foi professora do Departamento de Artes Cênicas e professora-pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP) de 2003 a 2019. Atuou ainda, de 1993 a 2002, como professora do Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Autora de vários artigos sobre pedagogia teatral e arte do ator, além dos livros: Na Cena do Dr. Dapertutto: Poética e Pedagogia em V.E. Meierhold, Editora Perspectiva, SP, 2010; e, junto com Álvaro Machado, organiza o livro Balagan - Cia de Teatro (Balagan, 2015).

Em maio/junho de 2024, coordena a residência artística como diretora e pedagoga teatral no LeLabo (Lousane –Suiça) e no Centro Amazone (Sicília), com o projeto Aprendere il mondo, que envolve artistas brasileiros, africanos, suíços e sicilianos. Em 2022/23 dirige o espetáculo amazonias – ver a mata que te vê – resultado do projeto artístico-pedagógico desenvolvido no Sesc Pinheiros sob sua coordenação produzido pelo Sesc SP.

Com Yghor Boy, dirigiu o documentário Territórios de Resistência – Narrativas em Disputa, Florestanias, Sertanias, Ribeirias e o video-clip Paratodos (2021).

Entre setembro de 2020 e maio de 2021 coordenou no CPT – Centro de Pesquisa Teatral - Sesc – São Paulo a residência artística Vagamundos – um laboratório cênico, com a participação de 48 artistas.

Fundadora da Cia Balagan (1999) e dirigiu os espetáculos: Pentesiléia - treinamento para a batalha final (2017-), Cabras - cabeças que voam, cabeças que rolam (2016-18) Recusa (2012/16), Prometheus – a tragédia do fogo (2011/2015), Západ – A Tragédia do Poder (2006/07), Tauromaquia (2004/06), A Besta na Lua (2003/04), Sacromaquia (2000/01). Dirigiu ainda: As Cadelas (1996/97), A Serpente (1995), Os Cegos (1994), entre outros.

Em 2004 encenou com a Cia. Ismael Ivo (produção da Haus der Kulturen der Welt) o espetáculo Olhos d’Água, Berlim/Alemanha, e o espetáculo Dorotéia – um estudo (2004), de Nelson Rodrigues, no Festival Intercity São Paulo/2004, em Firenze/Itália.

Colaborou (entre 1999 a 2006), como diretora-pedagoga, com a Moscow Theatre – Scholl of Dramatic Art, Moscou/Rússia, dirigida por Anatoli Vassiliev.

Entre as inúmeras atividades artístico-pedagógicas destacam-se:
- Curadora pedagógica com Adriana Cruz, da Bienal das Amazônias 2023;
- Professora e orientadora do Curso de Gestão e Políticas Culturais do Itaú Cultural (2018-2022);
- Artista pesquisadora no Centro Amazone (Palermo-Itália), em 2019;
Professora visitante na Paris 8-Sorbonne (Paris-França), em 2014 e na ARTA-Association de Recherche des Traditions de l'Acteur (Cartucherie, Paris, França), em 2014 e 2016;
- Coordenadora do Núcleo Experimental de Teatro, do Sesi (2010/12);
- Curadora do ECUM – Encontro Internacional de Artes Cênicas e do Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas (Pedagogia Russa/2010 programa com o Workcenter J.Grotowski e Thomas Richards/2011);
- Consultora Pedagógica da SP Escola de Teatro (2010);
- Responsável pela concepção, implantação e coordenação do projeto Escola Livre de Teatro, do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de Santo André (1990/92).
- Ministra oficinas e cursos em vários estados do Brasil e em países como a Itália, Colômbia, Rússia, França, Suíça, entre outros.