Zona de Contaminação #1

Chegou 2020 quase ainda soando como futuro. Cá estamos, no futuro… Talvez o imaginássemos menos mediévico (pelo menos, no campo dos afetos). Fato é que chegou com todos os fluxos, abismos, afetos e ciberafetos, conexões, intersubjetividades, parafernálias aberrantes e paraquedas coloridos. No Condô, comemoramos 10 anos de “viver”; às vezes, existindo mais, outras menos… vivendo e rexistindo (existir+resistir) sempre. Em busca de modos de vida alternativos, em que a arte possa produzir novas terras afetivas. É neste contexto que surge a Zona de Contaminação, como campo para uma nova ambiência. Um espaço expositivo em flutuação permanente, local de passagem, um corredor atravessado por múltiplas linguagens artísticas, eventos, conversas… e o que mais der na telha da casa ou nos afetos em fluxo. A ideia por trás do signo, além de aludir à dinâmica dos afetos, também se inspira no conceito de CONTAMINATIO, que se vale da mistura, desconstrução, distorção, transmutação (…) de elementos “originais” para gerar um outro. Este outro, então, sempre “contaminado” por fluxos, desde a produção inconsciente às movimentações cósmicas, em sua condição histórica.

Com
MilaMizu, Rafael Fanti e Ricardo Sily

+ instalação audiovisual Ricardo Sily feat. Roberta Carvalho

M i l a M i z u –

Camila Mizutani, ou MilaMizu é artista visual que trabalha diferentes tipos de materiais, superfícies e técnicas explorando muito a transparência, sobreposições de imagens e texturas, luz e sombra, assim como outros elementos externos ao trabalho.

Série “Das coisas que são efêmeras”
Conjunto de painéis de acrílico com carpas pintadas que exploram o próprio espaço expositivo, sobreposições e o jogo de luz e sombra tanto naturais como artificiais. A série tem como tema principal o efêmero. Como as obras possuem uma forte relação com o espaço, elas poderão sofrer transformações significativas a cada exposição, podendo até mudar completamente seu sentido. Além disso, a técnica utilizada também evidencia a fragilidade e possibilidade de mutação. As bases brancas das carpas são pintadas na superfície transparente, mas logo em seguida a tinta é raspada para criar as linhas do desenho, mostrando a fragilidade da imagem que pode sumir ou se transformar a qualquer momento. A primeira obra chama-se “Tempo”. Tem como ator principal não só as carpas como também a parede do Condô. Nela, as inúmeras camadas de tintas carregam em uma imagem os 100 anos de história que o prédio possui, evidenciando a passagem efêmera do tempo. O tempo também é visível pela passagem da luz do sol, principalmente durante a tarde, que interage e modifica diariamente a obra. A segunda obra “Relações” discute como nossas relações são efêmeras. Cada indivíduo está em constante transformação, portanto nossas relações também estão sempre se modificando e se reinventando. Mas mais do que isso, com a rotina maluca do dia a dia deixamos de nos relacionar uns com os outros. Passamos todos os dias por milhares de pessoas, mas são poucas as que paramos 15 minutos para conversar. “- Vamos marcar alguma coisa? – Vamos!..” A terceira chama-se “Medo”. Todos nós sentimos medo, alguns nos paralizam, alguns nos traumatizam, outros nos fazer caminhar e nos descobrir mais fortes do que achávamos. Esta obra quer nos lembrar que o medo é efêmero. Uma hora podemos estar petrificada de medo, mas logo em seguida ele pode ser superado. Não nos deixemos paralizar, as vezes ele é só uma ilusão de algo que supomos ou prevemos antes mesmo de acontecer. Muitas vezes temos medo de monstro que só existe em nossa cabeça. Outras vezes ele só passa.
São Paulo – Janeiro 2020

R a f a e l F a n t i –

Fotógrafo com particular interesse pelo meio da moda, iniciou sua carreira em meados de 2010 e desde então não parou de produzir imagens voltadas exclusivamente para o mercado fashion. Assina diversas campanhas e colabora frequentemente com editoriais para revistas locais e internacionais.

Trabalho experimental realizado com técnica fotográfica e retouch básico. A obra sugere o encontro entre mundos e um convite a novas experimentações. Barcelona, 2017

R i c a r d o S i l y –

Bocas.

Um conjunto de bocas ativas em seres expressivos é o que caracteriza essa série de desenhos. Feitos em bastão de óleo sobre papel, os traços fortes, as texturas e até mesmo as marcas das mãos sujas no trabalho realçam as expressões desses retratos que se comunicam entre si e convidam a imaginar o que cada personagem está falando ou sentindo.

Confira o mapa da exposição.

No dia 09.02 (abertura) também vai rolar ateliês abertos e brechó!

A exposição ocorre de 09.02.2020 a 03.05.2020

Visitação:

||| Terças-feiras: das 16h às 19h
||| Domingos: das 9h às 13h
||| Demais dias com agendamento

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